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Reforma tributária na prática: o que muda para empresas e contribuintes?

Reforma tributária na prática

A reforma tributária aprovada por meio da Emenda Constitucional nº 132/2023 já começou a transformar a forma como empresas e consumidores lidam com impostos no Brasil.

A proposta, que vem sendo debatida há décadas, finalmente saiu do papel e caminha para substituir os antigos tributos sobre o consumo por um modelo mais moderno, transparente e alinhado com as práticas internacionais.

Mas, afinal, o que muda na prática com a reforma tributária? Como ela afeta o dia a dia de empresas, empreendedores e profissionais liberais? Quais cuidados são necessários para evitar aumento de carga tributária?

Neste artigo, a equipe da Brug Contabilidade responde essas e outras perguntas, com uma explicação clara e prática para você se preparar desde já.

O que é a reforma tributária e por que ela era necessária?

O sistema tributário brasileiro é conhecido por ser complexo, ineficiente e injusto. Empresas precisam lidar com múltiplos tributos, regras que variam entre estados e municípios, além de um emaranhado de obrigações acessórias que consomem tempo, dinheiro e energia.

A reforma tributária vem justamente para corrigir essas distorções. Ela tem como principais objetivos:

  • Simplificar tributos sobre o consumo;

  • Reduzir a cumulatividade, permitindo crédito amplo;

  • Unificar regras em todo o país;

  • Estabelecer mais transparência e neutralidade no sistema;

  • Evitar guerra fiscal entre estados e municípios.

Em vez de cinco tributos diferentes, o contribuinte passará a lidar com apenas dois, ambos baseados no modelo de IVA (Imposto sobre Valor Agregado).

Quais impostos estão sendo substituídos?

A reforma extingue cinco tributos sobre o consumo:

  • PIS (Programa de Integração Social);

  • Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social);

  • IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados);

  • ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – estadual);

  • ISS (Imposto sobre Serviços – municipal).

Esses tributos serão substituídos por:

CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços: De competência federal, vai unificar o PIS e a Cofins.

IBS – Imposto sobre Bens e Serviços: De competência estadual e municipal, vai substituir o ICMS e o ISS.

Além disso, foi criado o Imposto Seletivo (IS), que será aplicado sobre produtos considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros e bebidas alcoólicas.

Como será a transição?

A implementação da reforma será gradual, entre 2026 e 2033, dividida em quatro etapas:

  • 2026: Início da cobrança da CBS teste, com alíquota de 1% sobre operações de bens e serviços. O sistema antigo permanece.

  • 2027: Entra em vigor a CBS definitiva, com extinção do PIS e da Cofins. Início da cobrança do IBS teste (0,1%). O IPI será extinto, exceto para produtos industrializados da Zona Franca de Manaus.

  • 2029 a 2032: Período de convivência entre o modelo antigo e o novo. As alíquotas do ICMS e ISS serão reduzidas gradualmente, enquanto as de IBS aumentam proporcionalmente.

  • 2033: Extinção definitiva do sistema antigo, com o novo modelo operando plenamente.

➡️ Durante esse período, as empresas precisarão operar nos dois sistemas, o que exigirá adaptações contábeis, fiscais e tecnológicas.

O que muda na prática para as empresas?

A principal mudança é que, no novo sistema, a tributação será no destino, ou seja, onde está o consumidor final, e não mais na origem. Além disso, haverá crédito financeiro amplo: todas as compras de bens e serviços para a atividade econômica darão direito a crédito.

Veja os principais impactos práticos:

1. Simplificação tributária

Com apenas dois tributos (CBS e IBS), o número de obrigações será reduzido, assim como o tempo gasto com cálculos e escrituração. Haverá uma única legislação nacional, com regras padronizadas.

2. Crédito amplo e não cumulatividade real

Hoje, muitos tributos (como ISS e ICMS em algumas situações) geram cumulatividade, ou seja, o imposto se sobrepõe ao longo da cadeia. Com a reforma, toda operação anterior gera crédito, o que torna o sistema mais justo.

3. Fim da guerra fiscal

O ICMS atual estimula uma disputa entre estados por benefícios fiscais, o que desorganiza o sistema. Com o IBS e a tributação no destino, a guerra fiscal tende a desaparecer.

4. Maior transparência

A alíquota total do imposto (CBS + IBS) deverá ser explicitada na nota fiscal, o que aumenta a percepção da carga tributária por parte do consumidor.

5. Tributação uniforme para serviços e mercadorias

Atualmente, serviços pagam menos tributo do que produtos. Com a unificação, a alíquota será praticamente igual para ambos, o que impactará especialmente setores intensivos em mão de obra, como saúde, educação e consultorias.

Quais setores serão mais afetados?

Empresas de serviços serão as mais impactadas, especialmente aquelas que hoje estão no Simples Nacional ou no Lucro Presumido e não se creditam de tributos pagos anteriormente.

Entre os setores com possível aumento de carga tributária, destacam-se:

  • Clínicas médicas e consultórios;

  • Instituições de ensino;

  • Escritórios de advocacia e contabilidade;

  • Agências de marketing e publicidade;

  • Empresas de tecnologia e desenvolvimento.

Por outro lado, indústrias e comércios que compram insumos com imposto e vendem com imposto poderão se beneficiar do crédito amplo, reduzindo sua carga efetiva.

Como fica o Simples Nacional?

O Simples Nacional continuará existindo, mas com adaptações. Empresas optantes ainda pagarão o DAS normalmente, mas poderão ser obrigadas a recolher a CBS e o IBS fora do Simples em determinadas situações, principalmente se forem substitutas tributárias ou realizarem operações com grande volume de crédito.

Além disso, há o risco de o Simples deixar de ser vantajoso para alguns setores, devido à elevação da alíquota efetiva no novo modelo. Por isso, o planejamento tributário se tornará ainda mais essencial.

O que sua empresa precisa fazer agora?

Mesmo com a implantação gradual, as empresas precisam começar a se preparar desde já. As mudanças exigirão revisão de processos, atualização de sistemas fiscais e contábeis, e em alguns casos, revisão do modelo societário.

Veja algumas ações recomendadas:

  • Simule o impacto da CBS e IBS na sua operação;

  • Analise se o seu regime tributário atual continuará sendo o mais adequado;

  • Revise contratos, precificação e margem de lucro;

  • Avalie oportunidades de crédito tributário que surgirão com o novo sistema;

  • Invista em automação contábil e compliance fiscal;

  • Conte com o apoio de uma contabilidade especializada para planejamento tributário preventivo.

Conclusão

A reforma tributária é uma realidade e trará mudanças profundas para todos os tipos de negócios. Na prática, ela representa uma oportunidade de modernização, mas também um desafio operacional e estratégico que exige atenção imediata.

Cada empresa será impactada de forma diferente. Por isso, a análise personalizada é o caminho mais seguro para evitar surpresas e manter a competitividade em um novo cenário fiscal.

👉 A Brug Contabilidade está preparada para ajudar a sua empresa a entender e se adaptar à reforma. Entre em contato com nosso time de especialistas e agende um diagnóstico tributário gratuito.

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